Liz Teider

PRODUÇÕES E ANÁLISES


Economia, Políticas Públicas e realidade brasileira

Mapas e Gráficos

O custo médio mensal do brasileiro hoje é de R$ 3.520, segundo pesquisa realizada entre 22/12/2025 e 06/01/2026, com 6.063 entrevistas, que mapeou 10 categorias de gasto: moradia, contas recorrentes, supermercado, transporte, saúde, lazer, educação, alimentação fora de casa, compras em geral e serviços pessoais.

A composição de gastos estimada ficou: supermercado (25%), contas recorrentes (18%) e moradia (14%) somam 57% do orçamento. Ou seja, quase 60% da renda vai para despesas básicas e recorrentes.

A Região Sul aparece como a mais cara do país, com média mensal de R$ 3.940 (2,4 salários mínimos). O Nordeste é a mais econômica, com média de R$ 2.760 (1,7 salários mínimos). A maior disparidade está na moradia: enquanto no Sul a média é R$ 1.310 e no Sudeste R$ 1.210, no Nordeste cai para R$ 800. No recorte por estado, Santa Catarina lidera com R$ 1.380, enquanto a Paraíba registra R$ 650.

Outro ponto relevante é a baixa dispersão nas categorias de lazer e serviços pessoais. A diferença entre regiões é pequena, o que sugere que certos padrões de consumo são relativamente homogêneos, independentemente do nível de desenvolvimento regional.

Os mapas mostram que o analfabetismo entre mulheres não se distribui de forma igual pelo Brasil. Há diferenças importantes entre municípios e regiões, que ajudam a entender como o acesso à educação se organiza no território.

O recorte racial amplia essa leitura ao mostrar onde diferentes grupos aparecem nos dados, sempre considerando que essas distribuições refletem a composição populacional e trajetórias históricas do país.

A presença de mulheres indígenas nos mapas nos lembra de algo essencial para todo o Brasil: políticas públicas precisam considerar território, cultura, língua e contexto local para funcionar melhor.

Esses dados ajudam a orientar políticas públicas, identificar necessidades e planejar ações mais adequadas à realidade de cada região.

Analfabetismo de maneira geral, é um desafio coletivo. E exige políticas públicas bem informadas.

O coeficiente de Gini é um indicador usado para medir o nível de desigualdade na distribuição de renda dentro de um território. Ele varia de 0 a 1: valores mais próximos de 0 indicam uma distribuição mais igualitária, enquanto valores mais próximos de 1 mostram maior concentração de renda.

Neste mapa, o índice é calculado separadamente para cada estado. Isso significa que ele não compara diretamente um estado com o outro, mas mostra como a renda está distribuída entre as pessoas dentro de cada um deles. A partir disso, é possível observar diferenças importantes nos níveis de desigualdade entre os estados e entender melhor como essa dimensão se manifesta no país.

Embora existam outros indicadores econômicos, como o PIB per capita, eles não captam essa dimensão distributiva. O coeficiente de Gini ajuda justamente a olhar para esse aspecto: não apenas quanto se gera de renda, mas como ela está distribuída entre a população.

Isso não é orçamento secreto!

O problema do chamado orçamento secreto era a falta de transparência. Não era possível saber com clareza qual parlamentar indicava o recurso nem para onde ele ia, o que abriu espaço para desvios e arranjos políticos pouco transparentes.

O que aparece no gráfico são emendas parlamentares do orçamento federal. Diferente do orçamento secreto, aqui os recursos têm autoria identificada e fazem parte de um montante distribuído entre os parlamentares dentro da Lei Orçamentária.

Muita gente imagina que esse dinheiro vai principalmente para redutos eleitorais. Às vezes vai. Mas nem sempre. Muitas emendas são destinadas diretamente a ministérios, passando a integrar a execução das próprias políticas públicas.

No orçamento de 2026, cerca de R$ 49,9 bilhões estão previstos em emendas. Desse total, aproximadamente 86% vão para ministérios, com destaque para o Ministério da Saúde, que recebe R$ 27,6 bilhões.

Ou seja, uma parte significativa dessas emendas acaba financiando políticas públicas federais.

💡 No Brasil, o Executivo propõe o orçamento, mas o Congresso não apenas aprova. Ele também decide diretamente o destino de uma parte dos recursos por meio das emendas parlamentares. Um bom exemplo de como o Legislativo brasileiro tem poderes amplos sobre o gasto público.

Especial Terras Raras (2026)

O governo sinalizou que a exploração de terras raras no Brasil deve passar por coordenação estatal. Isso é relevante, porque estamos falando de um recurso estratégico, com impacto direto na indústria global e nas cadeias produtivas mais avançadas.

Mas esse debate não pode se limitar ao potencial econômico. Terras raras envolvem territórios, populações e ecossistemas. Processos de extração têm impactos concretos e não podem ser tratados apenas como oportunidade de produção.

O Brasil já foi marcado por uma colonização predatória, baseada na extração intensiva de recursos e na transferência de riqueza para fora. Reproduzir essa lógica, ainda que em outro contexto, não faz sentido. Explorar não é apenas produzir mais, é decidir como, onde e em que condições isso acontece.

O Brasil concentra cerca de 24% das reservas, mas participa com menos de 1% da produção. Isso abre espaço para uma estratégia de desenvolvimento, mas também exige cuidado. A disputa global por esses recursos é intensa, com potências operando em lógica predatória, e não faz sentido repetir um modelo em que a gente só extrai e entrega.

Especial PIB Municipal

Quando olhamos os dois juntos, algo importante aparece: produção e população se organizam de formas muito diferentes no território.
Em dezembro de 2025 o IBGE divulgou o PIB de cada cidade do Brasil no ano de 2023.

Há municípios que produzem muito porque concentram pessoas, empresas e serviços. Há outros que produzem relativamente muito com pouca população. E há lugares onde existe produção relevante, mas distribuída em populações grandes.
Todos esses cenários permitem leituras completamente diferentes.

Além disso, cabe sempre citar algo que gera confusão:
PIB per capita não é salário médio, tampouco é um indicador de qualidade de vida da população.
PIB per capita não indica quanto cada pessoa ganha, mas quanta produção existe, em média, por habitante.

Ainda assim, é um indicador poderoso para entender capacidade econômica territorial, pressão populacional sobre a produção local e desafios de financiamento de serviços públicos.

Outros dados importantes para observar em conjunto, é o nível de emprego em cada região. Ou ainda, outros indicadores sociais relacionados à pobreza e acesso à saúde.
Permitindo investigar algumas perguntas, como:

1. Quais territórios combinam alta produção com baixos indicadores sociais, e por quê?
2. Onde a produção econômica se concentra sem gerar emprego na mesma proporção?
3. Em quais regiões a produção convive com maiores níveis de pobreza e restrição de acesso a serviços básicos, como saúde?

Outros destaques para além dos mapas:
📍Os 25 maiores municípios responderam por 34,2% do PIB do Brasil em 2023;

📍Agropecuária teve maior crescimento em volume (+16,3%), apesar da queda de preços;

📍Municípios de São Paulo e Rio de Janeiro lideraram as quedas de participação no PIB entre 2022 e 2023

Publicações

Podcast

Vídeos e redes sociais

Rolar para cima